Não há outra mulher como Suzana

Queridos, o mais depressa possível encontrem uma maneira de assistir ao filme "Suzana, uma mulher diabólica" do cultuado diretor espanhol Luís Buñuel. A história não é a mais original de todas, mas que atuação conferiu ao papel título a linda Rosita Quintana. Averiguando um pouco mais sobre sua vida, me surpreendi ao saber que era uma adolescente na época. E na tela converte-se em um mulherão sensual, ressaltando suas curvas com muita malícia. É obvio que a mão competentíssima do diretor a levou a esse resultado. E os privilegiados somos nós que podemos nos deliciar com o tour de force de Rosita. Entrega, mesmo. Não é a toa que é argentina de nascimento. A diabinha demonstrou a que veio quando foi expulsa de um convento porque cantava tangos. Mito ou verdade, o que conta é que a mocinha levou o prêmio Ariel (o Oscar do cine mexicano) e foi catapultada ao status de estrela nacional. Fez muito musical com sombrero e pernocas de fora. Uma mistura explosiva que começou com Eva e que Hollywood, sem dó nem piedade, propagou mundo afora. Nossa Carmem Miranda não escapou ao estereótipo. As "move stars" (estrelas rodantes)  adoram se expor por um bom papel. Até matariam, se não fosse pela publicidade negativa.
Luis Lopez Somoza no papel de Alberto é um caso a parte. Eu o comi com os olhos em cada momento seu na tela, principalmente quando a camera o colhia de costas, parado ou na eminência de  efetuar um movimento. Algo muito sutil, que eu chamaria de "ganchos" homoeróticos subliminares. Afinal de contas, testosterona é o combustivel do filme.  Ou talvez não passe de alucinação da minha cabeça (não a do Instrutor Júlia que ainda está de vacaciones). Me importa um pintinho de granja e eu assumo que me impressionou o tal rapaz. O triste (e belo) é supor ser ele hoje um senhor de seus quase noventa anos, se ainda vivo. Aquela calça de montaria o favorece horrores, atenuando até mesmo uma certa falta de músculos; porém o conjunto é um lubrificante para a retina. E aquele bigodinho atualíssimo? E o corte de cabelo, então? E o jeito naturalista de representar tão perto do que experimentamos hoje? O cinema existe para além do seu tempo. Por isso os diretores são tão caros, pois  são deuses. Os produtores, Zeus.
Não serei hipócrita a ponto de dizer que o capataz grandalhão não me tirou o foco, mas de uma maneira diferentíssima. Suzana resistiu a ele porque o sujeito era pobre e o talento de Rosita soube muito bem transparecer sutilmente o desejo carnal com uma fala entrecortada, um olhar congelado, uma hesitação quase lá.
Voltando ao guapo  Luisito, como me inspirou cuidado e ternura... Com ele eu casava de papel passado e em regime de separação de bens, resguardando o romance.
 A catarse foi certeira - Suzana é um pouco meu alter ego. Até o tema da loucura pelo aprisionamento. Bem, melhor que eu não discorra sobre o passado. Aqui estou eu a serviço de uma causa nobre. E lhes asseguro que sei muito bem do que falo, porque aprendi a conhecer o ser humano com o melhor dos professores (sim, ele, o fora de série, Instrutor Julia).
Quando mencionei o belo, quis me referir ao processo de envelhecer com grandeza de alma e um sorriso no rosto. Creminhos e ginástica facial também. Senão é so cruz. 
Ah! Luís Lopez Somoza, se eu pudesse viajar no tempo...
Que coisa mais novelesca de minha parte.  Desculpem, eu me deixei levar pelo sentimento.
Isso é que é viver, sabiam, meus lindos?


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